Brasil tem poucas espécies de corais, mas um terço delas difere de quaisquer outras do planeta
da: Fundação O Boticário
Edição 64
Projeto apoiado pela Fundação O Boticário realiza primeira iniciativa nacional para recuperação de comunidades de corais. As ações são desenvolvidas em Abrolhos, no sul da Bahia, onde estão os recifes mais bem conservados do país.

Mussismilia braziliensis, espécie de coral que ocorre apenas no Brasil.
O Brasil apresenta os únicos recifes de coral do Atlântico Sul. Essas comunidades ocorrem desde o Maranhão até a Bahia, estendendo-se por cerca de três mil quilômetros da costa brasileira. A fauna de corais do Brasil, apesar de pouco diversa, se comparada a outras regiões do mundo, apresenta espécies raras.
“Há 15 espécies de corais verdadeiros (que formam recifes) no Brasil, das quais cinco são endêmicas, ou seja, não ocorrem em nenhuma outra parte do mundo. Três das espécies exclusivas do país pertencem ao gênero Mussismilia e são as principais construtoras dos recifes brasileiros”, diz o biólogo Clóvis Castro, especialista em corais do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Os corais são animais marinhos do grupo dos cnidários, que possuem esqueleto calcário ou córneo. Os mais conhecidos são os que formam os recifes de coral, vivendo associados às algas da família Zooxanthellae. Essas algas vivem dentro dos corais, são protegidas por eles e realizam fotossíntese utilizando o gás carbônico que eles fornecem. Em troca, os corais recebem das Zooxanthellae oxigênio para a respiração, alimento e auxílio na formação de seu esqueleto calcário.
Os recifes de coral são formações criadas pela ação de comunidades de corais, algas calcárias e diversos organismos. Ocorrem em águas rasas, quentes e claras dos trópicos. Eles são um dos ambientes mais ricos e frágeis do planeta, que abrigam e protegem grande número de animais e plantas marinhas.
Apesar de sua riqueza biológica, um quinto dos coloridos recifes de coral já foi destruído devido ao impacto da ação humana, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês). A principal causa da degradação é a alteração no equilíbrio dos ambientes marinhos, como a pesca excessiva, a poluição, a agricultura, a devastação de florestas litorâneas e as mudanças climáticas do planeta.
No Brasil, a situação não é muito diferente. “No Nordeste brasileiro, praticamente não há mais recifes de coral”, afirma Castro. Ele explica que o Brasil passou por diferentes etapas de degradação de seus corais. No século 18, ocorria a extração direta de blocos de recifes para construção de fortes, igrejas e residências. Depois entre meados dos séculos 19 e 20, a predação passou a ser mais direcionada: arrancavam-se somente os corais dos recifes para retirar o carbonato e, dele, extrair a cal. continue lendo » »
